domingo, março 28, 2004
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
quarta-feira, janeiro 21, 2004
domingo, janeiro 04, 2004
quarta-feira, dezembro 24, 2003
sexta-feira, dezembro 19, 2003
eu tinha prometido pra mim mesmo só publicar textos neste blógui de uns tempos pra cá. Mas o Super Flufi, projeto de filme da Tula que eu montei, ganhou o Concurso do MinC e não pude deixar de comentar.
JOY!!!!!
sexta-feira, dezembro 12, 2003
noite quente em dia de tempestade. os ruídos das portas de garagem batendo dão o indício dos suores e prenunciam os pesadelos que deverão se seguir. o sono não é um bom companheiro. quando o arrojo impulsiona a fuga, as veias não conseguem mais conter o sangue. as mãos ganham relevos novos. sabe que não precisa desistir. cama sem lençóis e murmúrio sem ouvinte.
quinta-feira, dezembro 04, 2003
segunda-feira, dezembro 01, 2003
and when the hunger for your touch rises from the hunger, you whisper "you have loved enough, now let me be the lover"
traduzindo
e quando a fome pelo teu toque eleva-se da fome, suspiras "amaste o suficiente, agora permita-me ser o amante"
Leonard Cohen
domingo, novembro 30, 2003
terça-feira, novembro 25, 2003
As medidas imprecisas
haicai 1
O amor que sinto é
t?o grande e eu t?o pequeno
que me espalho em muitos
haicai 2
Por todos os lados
hei de esparramar migalhas
de um p?o destroçado
haicai 3
Depois dos sudores
mas ainda antes dos suspiros
habita a esperança
diversos
haicai
Uno mira al cielo
por detrás de las gaviotas
hasta su reflejo
haicai
Os pequenos sonhos
de prata e ventos dourados
somam-se à nossa alma
haicai Claddagh
The heart in my hands
O offer to thee with the crown
of my own free will.
Sobre o Atlântico, 4 de Março de 2003
Boulogne, 28 de Fevereiro de 2003
segunda-feira, novembro 24, 2003
Rua em festa, bares lotados
Nada se reflete nos olhos de Valmont. Noites em claro e copos de café. Vinho cerveja whisky e rum. Tabaco e tabasco. Lamentos vindos da rua suja e supostamente deserta. A cama. A cama está vazia.
Estavam tão imóveis a mirar um ao outro que pareciam um só. As peças com as quais se encaixavam estavam como que soldadas uma à outra e nunca mais se soltariam. Não era sexo. Não faziam amor. O amor é que os fazia.
O poster na parede com seus retângulos brilhantes anunciando as mais explosivas emoções, as noites das paixões mais gritadas, os orgasmos mais estapeados, sodomia enamorada, cunilíngua elaborada e suores satisfeitos, foi tudo o que sobrou do casamento fracassado.
Julianne. Cabelos cacheados castanhos. Pernas desnudas sob a saia. Vento nos pentelhos úmidos. Pôr-do-sol tardio de verão sobre a água. Laranja douradorosa azul verdes em todos os tons e o perfume de todas as flores e cafés e sorvetes e escapamentos. Livro fechado ao lado. Barco, marola, orla quase aos pés delicados. Sorri solidária na ponta da Ile de St. Louis. Ninguém sorri de volta. A mão manchada de sorvete derretido.
sábado, novembro 22, 2003
sexta-feira, novembro 14, 2003
acho engraçado que a gente se puxa pra escrever uma crônica e quase ninguém comenta nada, nem se tem erro de português.
aí a gente faz uma, como eu chamo, crítica-SMS (pra celular) sobre um filme e todo mundo se empolga.
não importa, vou continuar insistindo. em breve vocês serão forçados a ler mais alguma coisa pois estou com uns contos pra passar a limpo pro blógui ...
aí a gente faz uma, como eu chamo, crítica-SMS (pra celular) sobre um filme e todo mundo se empolga.
não importa, vou continuar insistindo. em breve vocês serão forçados a ler mais alguma coisa pois estou com uns contos pra passar a limpo pro blógui ...
segunda-feira, novembro 10, 2003
segunda-feira, outubro 20, 2003
a Tula sempre reclama que eu não uso este blógui pra publicar textos. então lá vai, uma crônica novinha, recém saída da cachola
BOULEVARD IMUNDO
ou
DAS ESTRANHAS PROVAS DE AMIZADE
Eram quatro. Talvez no princípio fossem mais. Agora eram quatro e bebiam à indiferença do mundo. Ou será que bebiam a indiferença do mundo. Agora não faz diferença. O que importa é que eram quatro e bebiam num círculo risonho e um pouco histérico no meio das gentes. E as gentes ora os designoravam por consideração ou interesses. E os garçons corriam o vinho e os copos nunca esvaziavam. Não para aqueles quatro. A festa terminou com as pequenas vitórias e as pequenas derrotas. Com os pequenos tumultos e alguns insultos. Com rimas sem graça e pessoas caindo.
A avenida parecia deserta. Estava. Numa Porto Alegre de Bienal e Casa Cor, pouco antes da Feira do Livro, com seu milhão e pouco de habitantes supostamente eriçados de cultura, a coisa estava deserta. E o carro estava longe. Principalmente para padrões ébrios de caminhada. Eram três mulheres e um homem, aqueles quatro. Ou duas mulheres e um casal, para que fique mais claro. O casal ia de carona. E o carro estava longe, balançando além das escotilhas dos óculos. E a mulher carona cai, rola e ri na avenida imunda. Leva junto o casal. Quatro pernas de bailarina escondidas sob duas meias saltam e inverte o sentido da saia, uma calça social tem um fio puxado. Riem na avenida imunda entre os arranhões e os hematomas que só serão sentidos nos dias que virão. O casal se levanta. O casal a levanta. Com cuidado abrem a porta e instalam a mulher carona, cinto e tudo o mais. O carro parte em direção a um bar como cabe aos automóveis conduzidos por bêbados contentes fazer.
No meio do caminho tinha um Camaro. Tinha um Camaro no meio do caminho. E o Camaro, vermelho, 1968, placa preta de colecionador, pertence ao ex-namorado da mulher motorista. Estava estacionado na frente de um bar. Mas não do bar destino daqueles quatro. Estava na frente de um muito fechado e poluído de ar-condicionado e publicitários. E de malditos advogados bebendo seus drinques flamejantes. Optaram por ficar de pé sobre a boca de lobo fétida da esquina, fazendo suas cervejas render com goles das bebidas de outros. E a mulher carona provou que fêmeas também são lascivas só por ser lambendo a nuca de um conhecido que passava. Os três demais riram, olhos atentos para que nada passasse mais do limite. Existe sempre um limite para o quanto uma pessoa considerada moderadamente sã pode se arrepender numa manhã seguinte. Principalmente quando já se acumulou um certo número de milhas no cartão das manhãs seguintes. A lambida estava de bom tamanho. Novos goles. Trinta anos bebendo e ainda caindo na besteira divertida de misturar vinho, cerveja, whisky e, bom, eles não hão de lembrar o nome de todas as coisas que beberam de copos amigos, interessados ou interesseiros naquela noite. Os não-fumantes acenderam cigarros. Era hora de partir. A mulher carona não estava muito bem. Mas, antes, a mulher queria ir ao banheiro.
entretanto
Ela decidiu que o faria depois, em um local mais adequado. O carro com os quatro deu algumas voltas. O carro com os quatro reencontrou seu caminho de ida. O carro com os quatro estacionou em fila dupla. O carro com os quatro ao lado do Camaro vermelho 1968 placa preta de colecionador. E a mulher carona desembarcou. E a mulher carona apoiou o braço esquerdo na janela do Camaro vermelho1968 placa preta de colecionador. E a mulher carona enfiou o dedo direito dentro da boca. E a mulher carona acertou o trinco da porta do motorista do Camaro vermelho 1968 placa preta jóia máxima da coleção do ex-namorado de sua amiga. Os quatro partiram.
Conhecemos nossos melhores amigos quando enfiam o dedo na goela por nós.
ou
DAS ESTRANHAS PROVAS DE AMIZADE
Eram quatro. Talvez no princípio fossem mais. Agora eram quatro e bebiam à indiferença do mundo. Ou será que bebiam a indiferença do mundo. Agora não faz diferença. O que importa é que eram quatro e bebiam num círculo risonho e um pouco histérico no meio das gentes. E as gentes ora os designoravam por consideração ou interesses. E os garçons corriam o vinho e os copos nunca esvaziavam. Não para aqueles quatro. A festa terminou com as pequenas vitórias e as pequenas derrotas. Com os pequenos tumultos e alguns insultos. Com rimas sem graça e pessoas caindo.
A avenida parecia deserta. Estava. Numa Porto Alegre de Bienal e Casa Cor, pouco antes da Feira do Livro, com seu milhão e pouco de habitantes supostamente eriçados de cultura, a coisa estava deserta. E o carro estava longe. Principalmente para padrões ébrios de caminhada. Eram três mulheres e um homem, aqueles quatro. Ou duas mulheres e um casal, para que fique mais claro. O casal ia de carona. E o carro estava longe, balançando além das escotilhas dos óculos. E a mulher carona cai, rola e ri na avenida imunda. Leva junto o casal. Quatro pernas de bailarina escondidas sob duas meias saltam e inverte o sentido da saia, uma calça social tem um fio puxado. Riem na avenida imunda entre os arranhões e os hematomas que só serão sentidos nos dias que virão. O casal se levanta. O casal a levanta. Com cuidado abrem a porta e instalam a mulher carona, cinto e tudo o mais. O carro parte em direção a um bar como cabe aos automóveis conduzidos por bêbados contentes fazer.
No meio do caminho tinha um Camaro. Tinha um Camaro no meio do caminho. E o Camaro, vermelho, 1968, placa preta de colecionador, pertence ao ex-namorado da mulher motorista. Estava estacionado na frente de um bar. Mas não do bar destino daqueles quatro. Estava na frente de um muito fechado e poluído de ar-condicionado e publicitários. E de malditos advogados bebendo seus drinques flamejantes. Optaram por ficar de pé sobre a boca de lobo fétida da esquina, fazendo suas cervejas render com goles das bebidas de outros. E a mulher carona provou que fêmeas também são lascivas só por ser lambendo a nuca de um conhecido que passava. Os três demais riram, olhos atentos para que nada passasse mais do limite. Existe sempre um limite para o quanto uma pessoa considerada moderadamente sã pode se arrepender numa manhã seguinte. Principalmente quando já se acumulou um certo número de milhas no cartão das manhãs seguintes. A lambida estava de bom tamanho. Novos goles. Trinta anos bebendo e ainda caindo na besteira divertida de misturar vinho, cerveja, whisky e, bom, eles não hão de lembrar o nome de todas as coisas que beberam de copos amigos, interessados ou interesseiros naquela noite. Os não-fumantes acenderam cigarros. Era hora de partir. A mulher carona não estava muito bem. Mas, antes, a mulher queria ir ao banheiro.
entretanto
Ela decidiu que o faria depois, em um local mais adequado. O carro com os quatro deu algumas voltas. O carro com os quatro reencontrou seu caminho de ida. O carro com os quatro estacionou em fila dupla. O carro com os quatro ao lado do Camaro vermelho 1968 placa preta de colecionador. E a mulher carona desembarcou. E a mulher carona apoiou o braço esquerdo na janela do Camaro vermelho1968 placa preta de colecionador. E a mulher carona enfiou o dedo direito dentro da boca. E a mulher carona acertou o trinco da porta do motorista do Camaro vermelho 1968 placa preta jóia máxima da coleção do ex-namorado de sua amiga. Os quatro partiram.
Conhecemos nossos melhores amigos quando enfiam o dedo na goela por nós.
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