MAIS DO DIÁRIO - PARIS, FRANÇA
FEV. 25
George e Danielle chegaram ainda estávamos acordados. Demos uns presentinhos e tal e fomos dormir.
Hoje de manhã, o tempo foi ocupado com afazeres domésticos e em reatar as amizades. Almoçamos peixe e salada seguidos de muito café, morangos e chocolate. Depois o pai e eu fomos para Paris, pro "nosso" bairro, o Quartier Latin. Comemos um sorvete na Île de Saint Louis e depois ficamos caminhando por este micro-bairro tão especial. Já sei onde quero morar, esqueçam tudo o que eu falei antes. Seguimos a pé até Les Halle e, no meio de todas as lojas de discos da Madonna e artigos para Drag Queens, achei uma loja de jóias celtas. Me comprei um anel de prata. Já estou usando, as duas mãozinhas abraçando meu anular esquerdo e segurando o coração enorme apontado para mim, e a coroa, a coroa como uma segunda unha no meio do dedo. Magicamente todas as mulheres e homens pararam de olhar para mim. :-)
FEV. 26 - Saint Malô, terra de Corto Maltese
Esta cidade é provavelmente o paraíso medieval do quadrimaníaco. Houve um festival de Bande Desinée aqui e a coisa ficou pra sempre. Nosso hotel, na verdade uma Public House no mais irlandês dos sentidos, é um prédio com 800 anos, uma escada apertada, uns 3 apartamentos por andas (11 apts. ao todo), café da manhã cobrado separado e a recepcionista/caixa dividindo suas funções entre a hospedagem e o pub que ocupa o térreo e o subsolo. O pub serve Murphy's, (a 2a melhor cerveja preta da Irlanda, Guinness ainda é melhor) entre outras coisas. Eu tava lá quando chegou um casal de amigos da barwoman com o Accoustic Unledded do Jimi Page e Robert Plant. Pediram pra por, ela atendeu prontamente. Fiquei lá bebendo e tentando entender as conversas em francês (nada importante) até que o pai desceu para irmos jantar. Comemos um Potée Breton, um cozido de carnes de porco com legumes, bebendo uma pint de Guinness. YES! Mais celta que isto, só cruzando o Mar da Inglaterra até a Irlanda. Aliás, estamos numa Irish corner, além do nosso hotel têm mais dois Pubs aqui na frente. São 9 horas da noite, eu passei o dia caminhando e só consigo pensar em descer e gastar mais 5€20 em cerveja ... fazer chegar a um litro e meio. Mas acho que não, amanhã acordamos cedo para ir a Mont S. Michel, que eu sempre quis conhecer.
Só mais uma nota sobre o PUC do Hotel. O Corto Maltese está desenhado sobre as pedras centenárias da parede. "Nuff Said".
Fui beber mais. Descobri que o nome do gato é Mao. Tocava Janis Joplin.
FEV. 27
8:20 da manhã.
O pub onde servem o café está fechado. Não tem ninguém no hotel, se a gente quisesse dar um calote era bem fácil, pena que o lugar é tão simpático ... me deixa com ainda mais escrúpulos. A cama onde o pai dormiu tem uma mola quebrada e eu rolei na cama o tempo todo por causa do exagero de porco da noite anterior. Pelo ruído, a cidade é bem movimentada à noite e, se eu não fosse acordar cedo hoje, teria ficado pela rua. De manhã, as gaivotas é que caminham por estes caminhos velhos sem preocupações ou desafetos.
16:20 - TGV
Nos irritamos com o hotel e fomos para um restaurante perto do portão da cidade para tomar café. Foi carinho, 6€90 para o que parecia pouco, geléia, manteiga, um croissant, um pão, um copo de suco de laranja e uma xícara de café. Quase não consigo comer tudo.
Em S. Michel estava chovendo. Eu com casacão de lã e toda a nossa bagagem na mochila, talvez uns 15 quilos, fiquei das onze da manhã até o meio dia e trinta em pé, subindo escadas com degraus remontando ao século X, escorregadios e, alguns, cheios de limo. Raras vezes fui tão feliz sem uma mulher que me amasse do meu lado. Nem as centenas de turistas japoneses tirando fotos me incomodava. (Haviam duas japinhas que mal tocaram nas câmeras, agora sei a razão). No meio de toda a exploração, há alguns hotéis bem bacanas e com preços razoáveis, um dia, devo voltar acompanhado e permanecer algumas noites aqui, preferencialmente em épocas de maré alta. Queria ter ficado mais tempo, apesar da chuva, mas o ônibus de volta a S. Malô saía às 13 horas. Almoçamos um crepe salgado acompanhado de uma xícara de cidra. É incrível como estes pequenos prazeres podem deixar alguém tão realizado. Conheço pouco, muito pouco do interior da França, mas a Bretanha foi uma surpresa medieval feliz. O tipo de lugar que te faz querer ter cavalos.
17:55
Para quem não tem idéia do quanto o TGV é rápido, nós cruzamos uma tempestade enorme, dessas em que o dia vira noite, raios cruzam o céu e parece que o mundo vem abaixo.Não obstante mal ter dado tempo de comentar e perceber que estava chovendo, apenas uma gota conseguiu passar o deslocamento de ar e bater na minha janela. Agora ela já secou. São seis horas e nem vejo mais a cidade onde chovia ou as nuvens.
Jantamos muito e muito bem por 46€ na Rue de Montparnasse. Ah, pato, porco, purÊ de batatas e salada de camarão, bebendo vinho tinto num restaurante tão kitsch que era engraçado. E pensar que entramos ali porque chovia e era em frente a um buraco de metrô. Com a possibilidade de fazer conexões entre todas as linhas, qualquer estação é ao mesmo tempo meio caminho para casa e uma boa forma de fugir das chuvas.
Ah, uma coisa que esqueci de mencionar de S. Malô, a sociedade histórico naval da cidade resolveu reconstruir o último navio corsário do lugar (que se ergueu com grana pirata) do mesmo jeito que era em 1812, salvo os 4 canhões. Agora, grupos podem alugar o barco para passeios e viagens curtas. Quero fazer isto, fiquei curioso, nunca andei num veleiro de madeira.