terça-feira, janeiro 14, 2003

ficção original fresquinha da fábrica. Peter S. Krause de volta ao universo Cyber

MISERICÓRDIA


Um sujeito toca Blowing in the wind numa gaita de boca. O saguão da Usina do Gasômetro virou uma espécie de hospital de guerra. As pessoas suam, na folhinha, é quase Natal. As enfermeiras são quase crianças, adolescentes, usam uniformes brancos já manchados de muito sangue, um tanto fresco, um tanto coagulado. Sobre uma mesa coberta de um lençol branco feito de retalhos brancos de lençóis brancos há muito castigados de escarros e bílis alheias, uma mulher é examinada pelo olho biônico do doutor. Ele murmura qualquer coisa sobre germes, infecção, pus e impunidade. Ela olha a própria barriga e, neste movimento sente os pontos a romper e enxerga o encharque rubro na bandagem nova. O braço forte, ferido e enluvado a empurra com força para baixo enquanto o doutor lembra Eu falei pra não te mexer, não falei? Ela lembra, lembra também do marido, do ataque, do filho não nascido que agora não vem mais, do pão e da água roubados. Ao lado deles, uma das enfermeiras-criança cobre um corpo até o rosto, Outro que dorme para não acordar mais. A paciente fechou os olhos com força, o médico a olhou com complacência, viu seu sofrimento, sorriu, deu-lhe um golpe na nuca. Silêncio.

A mulher acordou quando o sol já não mais castigava as janelas de vidro. Algumas enfermeiras e o médico grelhavam um par de morcegos. Uma delas misturava o sangue dos animais à água e açúcar e depois servia em copos. Ela chamou o doutor que lhe avisou Podes levantar, suturamos a fogo. Ela se sabia estéril, mas a cicatriz queimada era melhor que os pontos que abriam e a lembrança do fruto do amor perdido. Ainda bem que José já havia morrido quando os canibais comeram nosso filho, murmurou baixinho. Ela tinha quase completado o termo quando foram surpreendidos na esquina democrática. Estavam a caminho do hospital para tentar ter a criança com um pouco de segurança. Ela ia sobre um carrinho de supermecados, junto com um pão de forma e um garrafão de água. Foram levados para as ruínas de um velho sobrado, José foi morto tentando resistir, a criança fora arrancada em uma cesariana precária. Cortaram o cordão umbelical com um facão mateiro e largaram a criança natimorta direto sobre as brasas. Perdera a consciência antes de começarem a cortar seu pequeno filhote, comer seu corpo e beber seu sangue. Ainda assim a fome e a sede falaram mais alto e ela decidiu aceitar uma asa grelhada e um gole de sangue doce. Ela pergunta se não precisam de ajuda no hospital, Toda a minha família se foi e eu sinto uma vontade tão grande de ajudar. O médico limpa o suor, nada diz, morde a perna de morcego e toma um grande gole de sangue doce, Come e dorme, se amanhã tu ainda te sentir assim, a gente conversa de novo. Ela acenou concordando, ele esvaziou uma cápsula dentro do copo dela, sorriu, É só analgésico. Ela confia nele, não há razão para não confiar, a dor é tanta.

Ela acordou pela manhã tossindo uma mancha grossa de sangue no próprio peito. Parecia um coração, mas era só uma pequena hemorragia. Limparam-na, despiram-na, prepararam-na para cirurgia. O doutor murmurou, Ainda é muito cedo para tu começares a ajudar as gentes por aqui. Ela sorriu de simpatia, depois riu do éter e finalmente desmaiou.

Quando despertou ainda lhe costuravam o peito. Observou-se no espelho acima, a confusão sobrepondo à dor, agora possuía duas cicatrizes no ventre e uma no centro do peito. Quis chorar mas viu-se seca de lágrimas. Sentiu o pulso metálico e controlado de seu novo coração. O velho não aguentara à perda de sangue e ao stress dos últimos dias, comentou o médico com seu olho de vidro. Ela suspirou. Ele comentou que as emoções ficavam mesmo perto do hipotálamo, que o coração era meramente um símbolo vazio dos poetas do passado, que os novos não eram alvo das bactérias e dos vírus, que era mais higiênico e confiável e que … Ela já não mais prestava atenção. Aquele X no ventre sempre a lembraria de não mais poder conceber, a linha reta no peito apontava para o centro dele, aquilo parecia familiar, mas nunca estudara muita história e nunca lembraria qualquer coisa daquele gênero de qualquer maneira. Voltou a si quando lhe ofereceram um copo de sangue doce, um anti-estamínico e um calmante. Aceitou, tomou, sorriu, cambaleou até a escada e sentou nos degraus olhando para baixo. No saguão, uma menina-enfermeira puxava o lençol sobre um rosto e murmurava, Mais um que dorme para não acordar mais. Ficou ali olhando aquelas crianças, provavelmente todas órfãs, cobrindo os rostos de cadáveres que nunca serão seus pais. Pensou que teve bonecas, jogou videogames e até subiu em uma árvore uma vez. Essas crianças nunca correm, pensou, algumas nem podem. Sentiu a febre começando a subir. Suou, pediu um agasalho. No sol da manhã de dezembro, trinta e dois graus. Deram-lhe um lençol azul meio roto, ela enfiou os dedos por um par de buracos, cobriu a cabeça e tentou esconder as bandagens o melhor que pode. Desceu as escadas com calma e cuidado e um pouco de medo. Juntou o grupo de enfermeiras-meninas e perguntou se elas já haviam comido bolo. Não tinham. Retirou-se, deitou-se, dormiu.

Acordou só na manhã seguinte. Ou na seguinte ainda, não sabia bem. Dirigiu-se para a cozinha sem dirigir palavra a ninguém. Seu coração metálico queria acelerar. Encontrou farinha, açucar, um bolor medicinal que poderia servir de fermento, tirou de sua bagagem uma pequena barra de chocolate mordida que os saqueadores não haviam visto, vasculhou, cavocou, encontrou um pedaço de manteiga. Misturou tudo com as mãos até que ficou uma espécie de massa, colocou num prato fundo e largou no meio do carvão. Abatumou. Abatumou mas era um bolo de chocolate como aquelas crianças jamais haviam visto. Dividiu, sobrou até um pedaço para si e um para o doutor ciborgue. Comeram empurrando com sangue doce de cachorro. Perguntou o nome de cada uma, estavam todas ali, Mariana, Carolina, Viviane, Luísa e Luzia, Simone, Márcia, Susana, Clotilde, Débora, Ismália, Cláudia, Andréia, Ana e Ana Paula, Fabiana, Fernanda e Fabíola, Patrícia, Jimena, Sheila, Letícia e o Doutor João Batista. Mariana foi quem perguntou, E qual o teu nome tia? Ainda enrolada no lençol azul e febril, ela sorriu e suspirou, Maria. Caiu de costas e faleceu naquele instante rejeitando o órgão biônico que lhe havia prolongado a vida de sofrimento até aquele dia. Na folhinha, 25 de dezembro, 2112.


tem que dar o braço a torcer, a versão da orquestra do Jools Holland para If You Wear That Velvet Dress, com senhor Paul Hewson como convidado nos vocais é muito, muito boa, totalmente ballroom e ainda mais sexy que a original.
"Tonight the moon is playing tricks again
I'm feeling seasick again
The whole world could just dissolve
into a glass of wine
I've been good
'cause I know you don't want me too
Do you really want me to be good?"
"I dreamed that there was a point to life
and to the human race
I dreamed that I could somehow comprehend
that someone shot him in the face"

Lou Reed - The day John Kennedy died
"some days are diamonds
some days are rocks
some doors are open
some roads are blocked"

Tom Petty
"do you ever get the feeling
that the story is too damn real
and the present, tense"

Ian Anderson

Que droga você é viciado?


considera a hora deste post e o fato de que eu estou escrevendo neste exato momento (não o blógui, né, o blógui é pra relaxar) um conto chamado misericórdia em que a Usina do Gasômetro virou um hospital improvisado e as pessoas morrem às dezenas enquanto um médico ciborgue se desdobra em mil pra tentar ajudar todos os enfermos antes do natal ....
hahah ... só podia ser cafeína ... é o meu maior vício mesmo ... hoje eu tomei quatro xícaras de café preto das grandes e café com leite gelado no jantar.
hahaha ... she's a maniac, maniac .... lalala ... eu lembro dessa música, yip dip doo loo lah ...

segunda-feira, janeiro 13, 2003

"say baby do you wanna lay down with me
say baby do you wanna lay down by my side"

Tom Waits & Primus - Tom The Cat
"have you come here for forgiveness
have you come to raise the dead?"

Bono

domingo, janeiro 12, 2003

"think of me what you will
I've got a little space to fill"

Tom Petty
tá, tipo, minha coleção de mp3 é a coisa mais estranha ...

agora eu estou ouvindo Chris DeBurgh (que por sinal é um nome gaélico) cantando Lady in Red.

e por algum motivo, isto tá mexendo comigo agora ... sei lá, deve ser uma coisa dos anos 80. tem que ser.

por pura curiosidade histórica (ou não) aí vai.


The Lady In Red - Chris DeBurgh


I've never seen you looking so lovely as you did tonight
I've never seen you shine so bright
I've never seen so many men ask you if you wanted to dance
They're looking for a little romance
Given half a chance
And I've never seen that dress you're wearing
Or that highlights in your hair
That catch your eyes
I have been blind

The lady in red is dancing with me
Cheek to cheek
There's nobody here
It's just you and me
It's where I wanna be
But I hardly know this beauty by my side
I'll never forget the way you look tonight

I've never seen you looking so gorgeous as you did tonight
I've never seen you shine so bright you were amazing
I've never seen so many people want to be there by your side
And when you turned to me and smiled it took my breath away
And I have never had such a feeling such a feeling
Of complete and utter love, as I do tonight

The lady in red is dancing with me
Cheek to cheek
There's nobody here
It's just you and me
It's where I wanna be
But I hardly know this beauty by my side
I'll never forget the way you look tonight

I never will forget the way you look tonight
The lady in red
My lady in red
I love you
bah ...
revolver
Which Beatles Album Are You?

brought to you by Quizilla
não é só o punk que está morrendo
MORREU MAURICE GIBB


O baixista e tecladista de 53 anos faleceu hoje pela manhã, de ataque cardíaco enquanto se preparava para fazer uma cirurgia no intestino. Ele e os irmãos Robin e Barry moravam em Miami desde os anos 70.

Para quem não sabe, o cara era um dos Bee Gees.

de onde tirei a informação

sábado, janeiro 11, 2003

on a lighter note. Here are the scans from the Lord Of The Rings - Return Of The King calendar.
Aproveitem.
é muito chato a forma como as pessoas acabam te decepcionando por exagerar em coisas que antes até te atraíam. é incrível também que unsolicited advice tenha se tornado uma praga, quase um vício para algumas pessoas. conheço mais de uma com este problema, mas algumas levam ao ponto de ser doentio. eu, como todo mundo que me conhece sabe, odeio confrontamentos desnecessários e sempre achei o silêncio mais interessante do que um bate-boca de cabeças quentes.
...
mais chato ainda quando isto acontece no momento em que começas a pensar que as coisas estão para se acalmar.

é uma pena. e uma decepção. principalmente quando vêm de pessoas que se gosta e respeita e se tem uma história conjunta que merece ser respeitada.

eu sou eternamente esperançoso, mas a calma e a paciência estão cobrando preços caros.
mmmm ... cerveja. muita cerveja ontem de noite. mas foi divertido e deu pra espairecer.

meu estômago ainda dói, no entanto, saco.

sexta-feira, janeiro 10, 2003

festa estranha com gente esquisita ...

a festa tava boa, melhor que a grossa maioria das festas de formatura que já fui.
no entanto, os bafões foram muito mais deprês do que engraçados. a namorada de um amigo meu tomou todas e deu em cima de outro amigo meu ... que por sinal fez a recepção num lugar horrivelmente longe no qual os seguranças me barraram pq eu tava numa tal de lista pra depois da meia-noite que nem o cara que me convidou sabia que existia.
uns amigos da Roxy se desentenderam pq num ex-casal, a menina resolveu que queria voltar e o cara disse que não, durante o baile, é claro. ficou um pra cada lado e o clima foi pesando.
aí eu levei um tapa na cara de uma ex (tavez devesse ter lido o comentário da Ana Maria antes, só vi agora) pq estava olhando para uma outra guria enquanto todos nós dançávamos numa roda. eu entendo a situação de ex, mas não ia agarrar a guria na frente dela, por mais que eu ache a guria legal, inteligente, espirituosa e talentosa (plus beautifuly wide brown eyes ... os atributos que mais valorizo numa mulher). ainda assim, foi uma atitude injusta e injustificada ... e, claro, criou um puta climão.

pelo menos eu consegui dar o anel que eu comprei pra Roxy de formatura, um anel de prata (quem conhece ela bem sabe que ela não usa dourado) com uma ônix (que é a pedra do signo dela ... bendita hora que ela não é canceriana, taurina ou capricórnio, pq eu não teria grana pra esmeraldas, diamantes ou rubis ... e ela nem gosta de rubi). Anyway, presente de irmão. melhor que isso, só se fosse uma passagem pra recife.

depois dessa, vou dormir um poquitinho ....

quinta-feira, janeiro 09, 2003

mmmm ... vou dormir uma horinha agora e decidir que roupa que eu vou usar pra formatura. ... eu queria ter comprado um traje novo, mas a grana tá muy curtita pra gastar nessas cosas.

boshta, como diriam os cariocas e os gaúchos da casa das 7 moliéres ...

quarta-feira, janeiro 08, 2003

testezinho interessante
(Vivi, acho que tu vais achar este particularmente interessante ... hehe ... you big Cure fan you)





Mysterious, quiet, reserved. You are...

A forest

Come closer and see
See into the trees
Find the girl
While you can
Come closer and see
See into the dark
Just follow your eyes
Just follow your eyes

I hear her voice
Calling my name
The sound is deep
In the dark
I hear her voice
And start to run
Into the trees
Into the trees

Into the trees

Suddenly I stop
But I know it's too late
I'm lost in a forest
All alone
The girl was never there
It's always the same
I'm running towards nothing
Again and again and again

Which Cure song are you?
Test by Ligeia

mmm ... gostei do resultado

terça-feira, janeiro 07, 2003

Uma breve consideração sobre A casa das sete mulheres (o tio Assis Brasil disse que é só a primeira letra que deve ir maiúscula ... hehe) e a estupidez da televisão aberta brasileira.
Primeiro o produto em si. A produção é, bah, sem comentários, fotografia, figurino, nem a falta de sotaque me deixou injuriado, embora eu ache que podia ter mais uns tu aqui e ali. O que nos traz ao problema, são 52 capítulos, certo? Certo. Como a Globo vai passar isso? Como sempre passa o que eles chamam de "minissérie", como uma meia novela ... porque esta é a duração de 52 capítulos, meia novela, exceto aquelas que ficam rodando pra sempre tipo Roque Santeiro. A razão de isso ser estúpido é que não sobra tempo para digerir a série e seus acontecimentos. Não seria muito mais interessante (e lucrativo) passar um capítulo por semana, num determinado dia, em horário nobre como está, com uma reprise de madrugada no final de semana para quem eventualmente perdesse um capítulo e, assim, levar um ano (52 semanas) apresentando a série? Não, a teledramaturgia brasileira não pode fazer uma coisa dessas, imagina. Apresentar tudo de uma vez é apostar no fracasso da qualidade da produção e na falta de fidelidade de um público que nunca teve a chance de ser fiel. Que saco. Eu gostei, queria poder levar sete dias debatendo com amigos, vendo surgir grupos de discussão, agonizando por notícias muito mais do que passar as noites quentes de verão em que posso beber e dançar e dormir com alguma rapariga interessante na frente de um televisor só porque o produto é bom, ou gastando toneladas de fitas pra gravar tudo. Alguém precisa ensinar o valor de fidelidade pra globo. ... ... Eu achei que tinham aprendido depois do que fizeram com Twin Peaks (que tbm foi apresentado como "mini-série"). Bah.

VIVA A FICÇÃO!!!


direto do New York Times

Growing Rowdier, TV Reality Shows Are Attracting Suits

By ADAM LIPTAK

James and Laurie Ann Ryan's Las Vegas vacation last January was more exciting than they would have liked. Soon after they checked into the Hard Rock Hotel, they found a body in the bathtub. When they tried to leave, hotel security guards and a paramedic detained them.

Philip Zelnick was surprised, too, when he went to catch a plane at an Arizona airport. A security guard made him lie down on a conveyor belt and pass through the X-ray machine. It left him, he said, humiliated and "bleeding all over the place."

Both incidents were practical jokes, manufactured by television shows. But the Ryans and Mr. Zelnick were not amused, and they have sued the producers.

Lawsuits against the unscripted entertainment shows known as reality television used to be filed by people who got hurt imitating stunts on shows like "Jackass" or believed that the rules on shows like "Survivor" were applied unfairly.

Now, media lawyers and insurance executives say a new sort of lawsuit, involving claims of serious physical and emotional injury to the participants themselves, is on the rise.

These suits raise the question, as one filed last month put it, of how the law should address "the public's apparent craving to witness real-life physical and emotional turmoil." That suit was filed by Jill Mouser, who said she was badly hurt in a device called "the harness of pain" on a pilot for a CBS show called "Culture Shock."

Unlike the Ryans and Mr. Zelnick, Ms. Mouser had signed a release. But she says it should be disregarded because it failed to warn her about all of the show's hazards.

In addition to posing difficult legal questions, the suits are changing the economics of this famously cheap form of programming.

"The extraordinary growth of reality programs could only inevitably lead to an equally extraordinary growth in claims," said Sandra Baron, the executive director of the Media Law Resource Center, which collects information about lawsuits against news organizations and entertainment companies.

"Insurance is going to soar," Ms. Baron said, "and litigation costs are going to go through the roof."

Bob Banner, who produced "Candid Camera" in the 1960's, said he could not recall a lawsuit against that show.

"We never tried to embarrass people or put them in a precarious situation," Mr. Banner said. "We did much gentler things."

Times have changed, said Gloria Allred, a Los Angeles lawyer who has represents plaintiffs in two other suits pending against reality shows. The reasons, Ms. Allred said, are cultural and economic.

"Humiliation TV sells," she said.

A new version of "Candid Camera," which appears on the Pax network, was responsible for injuring Mr. Zelnick at an airport in Bullhead City, Ariz., in the summer of 2001.

Mr. Zelnick, 35, a personal fitness trainer from Palm Springs, Calif., said he felt coerced into lying on the conveyor belt.

"My first reaction was that it had to be a joke," he said. "I asked if it was `Candid Camera.' "

Peter Funt, the show's host, was wearing the uniform of an airport security guard. He assured Mr. Zelnick that the request was serious.

"You can't joke about these things in an airport," said Mr. Funt, whose father, Allen Funt, created the original show.

Mr. Funt did not let Mr. Zelnick in on the joke until he emerged bruised, bloody and screaming in pain.

The segment was not broadcast, but similar ones have been popular as "a parody of security in airports," Mr. Funt said in an interview.

Mr. Funt said the idea was not representative of the show's usual approach. "It breaks my heart to find myself within the cesspool of reality TV shows," he said.

But he conceded that he felt pressure from newer approaches.

"It becomes harder and harder," he said, "to hold to standards you believe in when your competitors are fast and furious and footloose and are seeming to have at least some temporary success."

Mr. Funt, however, did not express particular sympathy for Mr. Zelnick.

"We accidentally hurt somebody," he said. "I was relieved that it wasn't worse and upset that it happened at all. We turned it over to our insurance company. He was offered a token amount, a few thousand dollars, and he turned it down."

The lawsuit is scheduled to go to trial this year.

Reality shows that do not involve hidden cameras can try to protect themselves from suits by insisting on releases from participants.

Jill Mouser and Marcus Russell, a Los Angeles couple, signed such releases before being flown, blindfolded, to what turned out to be the Arizona-New Mexico border for the pilot of a CBS show called "Culture Shock" in October.

Ms. Mouser, a 29-year-old saleswoman, said she suffered severe pain and lasting injury after being hung for 40 minutes with her back bent unnaturally in a harness.

She and another woman were competing for $100,000 in the final event of the pilot, held at an Indian reservation. The woman who lasted longest was to win the money.

The show added an element of emotional tension, too. Mr. Russell, a 33-year-old film director, held the line that kept Ms. Mouser suspended, making him responsible for her agony.

When she was eventually lowered, screaming, she was injected with morphine, placed on a backboard and driven to a hospital more than an hour away.

"When does it stop?" Mr. Russell asked. "When someone is going to die?"

Ms. Mouser and Mr. Russell said they had been pressured to sign a second release four days into the competition and immediately before she was placed in the harness. They said they were told they would forfeit their shot at the prize if they did not sign.

Lawyers for CBS and Rocket Science Laboratories, which is producing "Culture Shock," did not respond to requests for comment. The future of the show is uncertain.

James and Laurie Ann Ryan, whose Las Vegas vacation was ruined, have sued the Hard Rock Hotel and MTV, which is producing "Harassment," the show that arranged the stunt.

The host of "Harassment," the actor Ashton Kutcher, has described the show as "guerrilla `Candid Camera.' " The show will have its debut later this winter, but the segment involving the Ryans will not be used, an MTV spokeswoman said. She would not discuss the lawsuit.

Jonathan H. Anschell, a Los Angeles lawyer who represents the defendants in the suit — MTV, the Hard Rock Hotel and Mr. Kutcher — declined to comment, citing the pending litigation and a confidentiality agreement.

Barry B. Langberg, a Los Angeles lawyer who represents the Ryans, said that only lawsuits could moderate the conduct of the producers of such shows.

"Something like this is done for no other reason than to embarrass people or humiliate them or scare them," Mr. Langberg said. "The producers don't care about human feelings. They don't care about being decent. They only care about money."

Television executives love reality programming because it is cheap. But the recent spate of lawsuits may prove costly, and insurance companies have already raised the rates for reality shows significantly.

"Premiums have nearly doubled," said Chad Milton, a senior vice president of the insurance brokerage firm Marsh and an expert in media insurance, referring to insurance programs for large companies, "and deductibles have gone up in quantum jumps."

Mr. Milton emphasized that these increases had many causes and that insurance prices in general had recently spiked. But, he continued, individual reality shows not covered by a large company's policy can find it hard to obtain insurance at all.

Brian Grossman, who represents Ms. Mouser and Mr. Russell, said the producers of such shows were mistaken if they thought lawsuits were simply a cost of doing business.

"That's why God invented punitive damages," Mr. Grossman said.

Clay Calvert, an associate professor of communications and law at Pennsylvania State University and the author of "Voyeur Nation" (Westview Press, 2000), said other economic pressures must be considered.

"It's low-cost programming," Professor Calvert said. "Now the question is whether the costs imposed by litigation will start to make it less financially attractive. But it's still going to be cheaper than paying the cast of `Friends.' "

espero que a TV brasileira aprenda com os erros dos outros. quando vão começar a processar o Domingão do Faustão, o Gugu e aquele cara da RedeTV? ...